Softwares

  1. Dado
  2. Software
  3. Processamento
  4. Controle
  5. Interoperabilidade
  6. Produto
  7. Informação territorial

Os softwares são ferramentas inseridas no fluxo técnico da Agrimensura. O objetivo deste conteúdo é ensinar o profissional a compreender o dado, escolher a ferramenta adequada, processar, controlar, converter, integrar e produzir informação territorial confiável. O software não substitui o levantamento de campo nem o conhecimento profissional.

17.1 — O papel dos softwares na Agrimensura

Software, na Agrimensura, é o ambiente onde os dados obtidos em campo ou em bases já existentes são organizados, calculados, verificados, convertidos e transformados em produtos técnicos. Ele ocupa uma posição intermediária: recebe o dado, permite o processamento e devolve informação estruturada.

  1. Campo
  2. Dados
  3. Software
  4. Processamento
  5. Controle
  6. Produtos
  7. Informação territorial

Principais origens dos dados utilizados nesse fluxo:

  • GNSS
  • Estação total
  • Drones
  • Fotogrametria
  • Laser scanner
  • Levantamentos convencionais
  • Bases existentes
O software no fluxo da Agrimensura: campo, dados, software, processamento, produtos e informação territorial
O software no fluxo da Agrimensura

17.2 — Do dado bruto ao produto técnico

O trabalho técnico pode ser organizado em seis etapas encadeadas, do registro em campo à entrega integrada.

  • Coleta — registro das observações em campo ou obtenção de bases existentes.
  • Dados — organização do material bruto e verificação do que foi obtido.
  • Processamento — cálculos, ajustes, modelagem e geração de coordenadas e superfícies.
  • Controle — verificação de qualidade, consistência e referência espacial.
  • Produção — geração de plantas, mapas, modelos, relatórios e memoriais.
  • Integração — reunião dos produtos em bases, sistemas e fluxos de informação territorial.
Do dado bruto ao produto técnico: coleta, processamento e produtos gerados
Do dado bruto ao produto técnico

17.3 — Tipos de dados e arquivos utilizados

Os formatos utilizados na Agrimensura podem ser agrupados pela natureza da informação que carregam. Compreender esse agrupamento é mais útil do que memorizar extensões isoladas.

Dados brutos de levantamento

  • RINEX
  • RAW
  • DAT
  • GDB
  • JPS / SBP

Desenhos e projetos técnicos

  • DWG
  • DXF
  • DGN

Dados geoespaciais

  • SHP
  • GPKG
  • GeoJSON
  • KML
  • KMZ
  • GPX

Raster e imagens

  • TIFF
  • GeoTIFF
  • ECW
  • SID
  • JPEG / PNG quando aplicável

Pontos e nuvens

  • CSV
  • TXT
  • XYZ
  • PTS
  • LAS
  • LAZ

Modelos 3D

  • OBJ
  • FBX
  • 3D Tiles

Tabelas e planilhas

  • CSV
  • XLSX
  • ODS

Documentação técnica

  • PDF
  • PDF/A
  • DOCX
Tipos de arquivos na Agrimensura organizados por categoria: dados brutos, CAD, SIG, nuvens de pontos, raster, tabelas e documentação
Tipos de arquivos na Agrimensura

17.4 — Vetor, raster, nuvem de pontos e modelo 3D

O território pode ser representado digitalmente de formas diferentes, e cada forma tem uma natureza própria.

Vetor

  • Pontos
  • Linhas
  • Polígonos

Raster

Matriz de pixels, na qual cada célula armazena um valor associado à superfície.

Nuvem de pontos

Conjunto denso de pontos tridimensionais obtidos por varredura ou fotogrametria.

Modelo 3D

Representação tridimensional de superfícies ou objetos.

Comparação entre vetor, raster, nuvem de pontos e modelo 3D como formas de representar o território
Vetor, raster, nuvem de pontos e modelo 3D

17.5 — Interoperabilidade

Interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas e ferramentas trabalharem com os dados de maneira compatível, permitindo que a informação circule entre ambientes sem perda de conteúdo, de estrutura ou de referência espacial.

  1. GNSS
  2. RINEX
  3. Processamento
  4. Coordenadas
  5. CAD
  6. SIG
  1. Drone
  2. Imagens
  3. Fotogrametria
  4. Nuvem
  5. LAS / LAZ
  6. Modelo
  7. GeoTIFF
  8. SIG
Formatos de arquivos e interoperabilidade entre ambientes CAD, SIG, raster, 3D e documentação
Formatos de arquivos e interoperabilidade

17.6 — Sistema de referência e qualidade dos dados

A confiabilidade do produto depende da coerência entre referência espacial, geometria, atributos, estrutura e apresentação. Geometria correta não significa, necessariamente, posição correta.

Referência espacial

  • Sistema de referência
  • Datum
  • Projeção
  • Zona
  • Unidades
  • Eixos
  • Altitudes
  • Referencial vertical quando aplicável

Geometria

  • Duplicidades
  • Polígonos abertos
  • Sobreposições
  • Deslocamentos

Atributos

  • Preenchimento
  • Identificação
  • Consistência

Estrutura

  • Arquivos associados
  • Integridade
  • Formato adequado

Apresentação

  • Escala
  • Norte
  • Legenda
  • Coordenadas
  • Identificação
  • Responsável técnico
Comparação entre referência espacial correta e incorreta e seus efeitos no posicionamento das camadas
Sistema de referência e qualidade dos dados

17.7 — Conversão, organização e rastreabilidade

Converter um arquivo significa reescrever a informação em outra estrutura, preservando geometria, atributos e referência espacial.

Renomear a extensão não é converter o arquivo.

Organização sugerida

  • 01_CAMPO
  • 02_PROCESSAMENTO
  • 03_CARTOGRAFIA
  • 04_SIG
  • 05_DOCUMENTAÇÃO
  • 06_ENTREGA

Versionamento

  1. V01
  2. V02
  3. V03
  4. REVISÃO
  5. ENTREGA_FINAL

A organização e o controle de versões garantem rastreabilidade: saber o que foi feito, quando foi feito e qual arquivo corresponde à entrega válida.

17.8 — Um levantamento, vários produtos

Um mesmo conjunto de dados pode alimentar diferentes produtos técnicos, conforme a finalidade do trabalho.

  • Coordenadas
  • Planta topográfica
  • Cadastro
  • Mapa SIG
  • Modelo do terreno
  • Georreferenciamento
  • Cálculo de área
  • Documentação
  • Informação territorial
Um levantamento GNSS ou topográfico gerando planta, cadastro, mapa SIG, modelo do terreno, georreferenciamento e documentação
Um levantamento, vários produtos

17.9 — Aplicações dos softwares na Agrimensura

Quadro resumido das aplicações, sem substituir os assuntos específicos da Central.

ÁreaFluxo típico
Topografiapontos → superfície → curvas → planta
Geodésiaobservações → processamento → coordenadas
GNSSobservações → processamento → coordenadas
Georreferenciamentovértices → limites → área → documentação
Cadastroparcelas → atributos → banco de dados
Regularizaçãolevantamento → cadastro → análise → documentação
Dronesimagens → fotogrametria → produtos
Cartografiadados → representação → mapa
SIGcamadas → análise → informação
Engenhariaterreno → projeto → infraestrutura

17.10 — Como escolher um software

A escolha deve ser orientada pela necessidade técnica do trabalho, e não pelo nome da ferramenta.

  • Qual é o objetivo?
  • Qual dado será utilizado?
  • Quais formatos preciso importar?
  • Quais formatos preciso gerar?
  • Qual sistema de referência?
  • Quais recursos são necessários?
  • Existe interoperabilidade?
  • Qual desempenho é necessário?
  • Qual é o custo?
  • Qual é o suporte e a continuidade?

17.11 — Software gratuito, livre e comercial

Gratuito

Pode ser disponibilizado sem cobrança, sem ser necessariamente software livre.

Livre

Relacionado às liberdades previstas pela licença.

Comercial

Normalmente envolve licença, assinatura ou outra modalidade de contratação.

A avaliação profissional deve considerar:

  • Recursos
  • Compatibilidade
  • Formatos
  • Interoperabilidade
  • Suporte
  • Produtividade
  • Custo

17.12 — O que realmente importa

A competência central não está em dominar programas específicos, mas em compreender o fluxo dos dados.

  1. Coletar
  2. Processar
  3. Verificar
  4. Converter
  5. Integrar
  6. Produzir
  7. Informar

Conhecer os dados, os formatos, a referência espacial, o processamento e a interoperabilidade é mais importante do que memorizar dezenas de programas. O software muda; o raciocínio técnico permanece.

Da informação ao território digital: dados, processamento, controle, formatos, integração, produtos e informação territorial
Da informação ao território digital